sábado, 17 de fevereiro de 2007

Não tenho tempo


Não tenho tempo
Não tenho vontade
Não tenho paixão
Não sei viver, nem me alegra mergulhar no vento do sul
Não sei esquecer-me de mim, inundado pela beleza do mundo,
E pelo seu horror
Não tenho compaixão, não sei dar, não sei respirar
Nem rir com os risos dos outros
Não tenho tempo, não tenho tempo - não posso, nem tento
Não invento, não deixo passar por mim as cores das flores
Nem reparo nos pequenos milagres de todos os dias
Não tenho tempo, não tenho espaço
Não ouço o silêncio, nem a paz que está sempre aqui
Não sei viver – não sei amar a vida
apreciar tudo, a dôr ,o prazer, agora, como quem não tem amanhã, nem ontem
Não sei amar a vida e tudo o que é vivo – com o coração em chamas,
e nada a perder

enviado por Pedro Serpa

1 comentário:

bijagós disse...

Lindo, este poema! Mas espero um dia em que venhas dizer que descobriste que afinal tens tempo para tudo isto e ainda para muito mais. Um beijinho muito sentido.