sexta-feira, 13 de abril de 2007

a Árvore

No alto da colina, de braços abertos ao céu acima, saboreia lânguidamente um fantástico pôr-do-sol, de cores cremosas aqui, brilhantes ali, um jogo de sombreados lindíssimos, um bando de patos em formação -um clássico-.
É seu hábito diário, desde que tem memória, assistir ao nascer do dia e ao mergulhar do sol daquele preciso local.
Quer seja porque a sua idade lho dispensa, ou porque mais não pretende do que ficar ali a sentir a brisa aquecida pelo Sol, ou o vento frio nos meses de Inverno, ela não sente necessidade de conhecer outras paragens.
Adora a terra onde vive, delicia-se com as água da chuva que recebe no corpo e sente na alma.
Ninguém sabe ao certo se conhece outros lugares, se tem algum segredo bem guardado, se na calada da noite se esgueira para visitar um amante secreto, um parente ou amigo, ninguém sabe ao certo...
Transmite na sua serenidade uma imensa sabedoria, uma comunhão profunda com a Natureza que a envolve, sente-se que a vida lhe basta, que não precisa nem de vestidos caros, nem de casas sumptuosas, nem jóias.

Ela é uma jóia.
Amiga dos animais que protege sempre que a água jorra do céu cinzento e ameaçador, ou quando o Sol abrasador queima a terra abaixo ou quando o ar, acometido por súbita ou anunciada loucura, varre tudo à sua frente com uma força que, por vezes, parece ilimitada.
Enraizada incondicionalmente na terra, bebe o alimento diluído na água que as suas raízes alcançam, ri para o fogo mal ele espreita esticando os braços na sua direcção, trocando com o ar aquilo de que ambos precisam.
E mais não quer, do que voltar a ver o Sol nascer.
Esta é a árvore.

1 comentário:

bikini disse...

gosto do texto e do respeito que transmites por seres que nos esquecemos que estão vivos.