quinta-feira, 4 de abril de 2013

Uma entrevista com Marcel Proust

O texto abaixo foi publicado originalmente no blog Espaço Literário Marcel Proust
Boa leitura!

Uma entrevista com Marcel Proust

Apresentamos a primeira de uma série de entrevistas realizadas com Marcel Proust, em Paris, entre meados de 1914 à primavera de 1922. Elas foram conduzidas por André Jammes, um jovem jornalista, à época:

  • Sr. Proust, “Em Busca do Tempo Perdido” é uma obra de vanguarda. Temos desde as mais entusiásticas opiniões até aquelas que, não conseguindo nem ao menos enquadrar o tipo de sua composição literária, chegam a duvidar da qualidade e mesmo da harmonia do seu conjunto. E ainda persiste a questão do estilo, por muitos considerado de difícil leitura.
          André, realmente o meu livro é bastante inovador e pagará certo preço por isso. O fato de que uns queiram que seja enquadrado no gênero de memórias, outros no de romance, não me parece fundamental de modo algum. O que faço questão de frisar é que se trata de uma composição, apesar de muito extensa, absolutamente rigorosa e perfeita, harmônica em todo o seu enredo. Por eu ser um grande admirador da arquitetura das catedrais góticas, inspirei minha composição em seus elementos, nos seus pilares, em seus arcos, nas suas rosáceas circulares, concêntricas, compostas por rendilhados perfeitos que permitem que a luz se distribua em todos os seus matizes, acentuando o realismo da representação pela combinação de variados tons da mesma cor.
Com relação ao estilo, ele é a própria dinâmica de minha criação, fruto da memória, da imaginação e do instinto. Talvez por isso mesmo possua frases e parágrafos tão extensos e, muitas vezes, uma composição invertida. Ora, esse é o meu modo de transmitir os sentimentos e as sensações presentes em minha alma e eu as transcrevo no ritmo em que me acolhem. E tenho certeza de que o leitor interessado saberá navegar muito bem por ele, e, conto com que, dele venha a se tornar um amigo.

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